13 abril 2017

Reviravoltas Acadêmicas




Hoje eu vim contar um pouco da história de decisões sobre minha vida acadêmica.
Até os 12 anos eu queria ser cantora e não me imaginava fazendo nada mais além de cantar, mas foi aos 14 que me vi obrigada a decidir qual profissão queria levar para o resto da vida. E como eu poderia saber?

No meu ensino fundamental inteiro estudei em escola particular com os contínuos esforços dos meus pais para isso, mas minha mãe sempre me alertava que para o ensino médio eu deveria prestar concurso para uma instituição pública, pois ela sabia que existiam ótimas escolas de ensino médio que iriam me garantir uma profissão ao final, os famosos técnicos.

Minha família não tinha condições de pagar um curso preparatório, então comecei a participar de um projeto de estudos para prestar concurso, no qual visa ajudar pessoas que não tem dinheiro para esse tipo de investimento. O projeto do Bruninho foi essencial na minha vida, era um incentivo e um intensivão criado pelo Bruno Figueiredo, um cara sensacional que não media esforços para ajudar esses adolescentes a crescerem e alcançarem seus objetivos, assim como ele conseguiu. O objetivo do Bruno era ajudar essas pessoas a conquistarem seus sonhos, vencerem as dificuldades e construírem uma nova história, assim como ele conseguiu mudar sua própria realidade. Tenho certeza que o Bruno foi o anjo na vida de milhões de jovens que tiveram contato com esse projeto lindo, assim como foi na minha vida.
E foi através dele que tive base para passar para uma das melhores instituições de ensino do Brasil, a IFRJ.

Lá iniciei os estudos no curso técnico de controle ambiental, mas depois de 3 períodos mudei para o curso de química. Incentivada pelas famosas séries de TV, como CSI, me inspirei para seguir a carreira de perito criminal, focando na química forense.
No final de cada período a minha maior preocupação sempre foi as químicas, eu ficava pendurada pelo pescoço por essas matérias, cortava um dobrado para conseguir passar e quando ficava de recuperação era sempre culpa das analíticas, isso já deveria ter sido um sinal claro de que algo estava errado.

Mas foi só depois de 4 anos, quando eu já ia para a instituição torcendo para que os professores faltassem tanto em dia de aula teórica quanto em dia de aula prática; quando notei o brilho nos olhos de meus colegas de turma com os resultados de laboratório, dos quais eu não dava a mínima, que tive a certeza que não estava em um curso que me satisfizesse como pessoa.

Foi nesse mesmo ano que fiz o Enem e estava disposta a mudar completamente minha futura área profissional, pensei em fazer Biomedicina e estive convicta de que neste curso me encontraria, mas depois de uma conversa longa e decisiva com uma das minhas melhores amigas, logo desisti da ideia de encarar cálculos biofísicos dessa grade e aceitar que minha alma era puramente humanas.
E foram nessas mesmas conversas que ouvi alguns conselhos sobre minhas próprias aptidões e talentos, que antes havia ignorado, e resolvi tentar embarcar na faculdade de comunicação social – Publicidade e Propaganda.

A grande questão é que, após esses tipos de decisões, as pessoas te apontam como louca, dizem que você perdeu muito tempo num curso que não pretende seguir e muitas vezes te incentivam a permanecer na profissão que não quer só pelo dinheiro, assumindo que a satisfação pessoal não é algo que importa. O fato é que loucura seria se eu as desse ouvido. Louca eu ficaria se passasse o resto da vida numa profissão que não me sinto bem. Quanto ao tempo perdido, tenho de discordar. Além de que o tempo seja muito relativo e muitas vezes inexistente, acima de tudo conhecimento nunca se perde. E tenho total certeza de que todo esse tempo, da forma como foi, era estritamente necessário.

O último julgamento, porém, preciso me estender mais para abordá-lo. As pessoas me dizem a todo instante que devo me preocupar em fazer dinheiro e garantir o meu, afinal, filha de pais pobres precisa fazer sacrifícios para ascender financeiramente. Mas eu me recuso a me guiar por essas linhas desordenadas da ambição, que nos carregam para a inevitável infelicidade. Creio que o trabalho e o dinheiro são necessários, mas que a vida só tem um propósito quando se é vivida para a felicidade. Sendo assim, não posso aceitar o argumento mesquinho do dinheiro acima do bem-estar, ou não estarei contribuindo com os meus objetivos de vida. Afinal, do que me adianta trabalhar em algo que não me dá prazer, apenas pela recompensa financeira, quando todo amanhecer será uma luta para seguir adiante? E infelizmente, o resultado desse tipo de pensamento que vejo se alastrando pelas pessoas, é a crescente onda de pessoas depressivas e muitas vezes pode contribuir com o aumento no número de casos de suicídios. Não é à toa que este vem sendo o mau do século, quando em sua grande maioria as pessoas priorizam o dinheiro a seu próprio bem-estar. E eu espero que este argumento que tanto tenho ouvido venha cair por terra e que as pessoas passem a priorizar cada vez mais a sua sanidade do que a seus interesses materiais.

E não vou mentir, algumas vezes você pode até querer vacilar e ouvir essas pessoas, porque o medo de falir é grande e a gente sempre tende a correr para o caminho mais seguro, aquele que as pessoas te afirmam que dá mais certo. Porém nem sempre aquele caminho mais seguro é o mais certo para você, e a sua felicidade deve ser sua maior responsabilidade. Ponha-se sempre em primeiro lugar, ame a si mesmo e tome as decisões que você acha ser o melhor para si, mas tendo a certeza que não está fazendo escolhas por influenciação de terceiros ou medo do desconhecido, pois se esse desconhecido é o que tem chamado por você, vai com medo mesmo.
Nos próximos posts vou abordar mais sobre como foi minha experiência no técnico, como descobri que na verdade queria fazer comunicação social e a importância do exercício de autoconhecimento no dia a dia.


Mas me conta, quais foram as reviravoltas acadêmicas na vida de vocês?


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Um comentário:

  1. Gostei demais do assunto *-*
    Teve uma época aos 15 anos que queria demais fazer Jornalismo! Dias depois, foquei em Nutrição. Mas por insistencia do meu pai fiz quase um ano de Contábeis (e desisti claro porque odiava kkk).
    Hoje sou Nutri e amo minha profissão <3

    www.chaeamor.com

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